Dra. Camila Lessa – Posts de Sáude https://postsdesaude.com.br Fri, 06 Mar 2026 14:54:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://postsdesaude.com.br/wp-content/uploads/2026/01/cropped-WhatsApp-Image-2025-12-27-at-14.40.14-1-32x32.png Dra. Camila Lessa – Posts de Sáude https://postsdesaude.com.br 32 32 Seletividade alimentar infantil: por que a equipe multidisciplinar faz toda a diferença https://postsdesaude.com.br/2026/03/seletividade-alimentar-infantil-por-que-a-equipe-multidisciplinar-faz-toda-a-diferenca/ Fri, 06 Mar 2026 14:54:08 +0000 https://postsdesaude.com.br/?p=260 A seletividade alimentar infantil é uma queixa frequente nos consultórios e costuma gerar grande angústia nas famílias. Recusa constante de alimentos, repertório alimentar restrito, dificuldade com texturas, cheiros ou consistências e episódios de choro ou engasgo durante as refeições são sinais que não devem ser ignorados, especialmente quando impactam o crescimento e o desenvolvimento da criança.

Esse quadro é ainda mais comum em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A seletividade alimentar, nesses casos, não é uma simples preferência ou “fase”, mas uma condição multifatorial que envolve aspectos comportamentais, sensoriais e motores.

Seletividade alimentar vai além da escolha

Muitos pais acreditam que a criança não come porque “não gosta” ou porque é resistente a experimentar novos alimentos. No entanto, em grande parte dos casos, a dificuldade está relacionada à forma como o corpo e o cérebro da criança processam os estímulos.

A rigidez comportamental, comum em crianças com autismo, pode dificultar a aceitação de mudanças no prato. Além disso, questões sensoriais fazem com que determinadas texturas, temperaturas ou odores sejam extremamente desconfortáveis. Há ainda situações em que a criança apresenta dificuldades na mastigação ou na deglutição, tornando o ato de comer um verdadeiro desafio.

Por isso, insistir ou forçar a alimentação não resolve o problema e pode gerar ainda mais aversão.

Por que a equipe multidisciplinar é essencial?

O tratamento eficaz da seletividade alimentar infantil exige uma abordagem multidisciplinar, na qual diferentes profissionais atuam de forma integrada, cada um olhando para um aspecto específico da dificuldade da criança.

A psicologia tem papel fundamental na compreensão do comportamento alimentar, da rigidez, da ansiedade e das respostas emocionais da criança diante do alimento. A terapia ocupacional atua na parte sensorial, ajudando a criança a tolerar e explorar diferentes texturas, cheiros e sensações. A nutrição trabalha o aumento do repertório alimentar e a adequação nutricional, enquanto a fonoaudiologia avalia e trata questões relacionadas à mastigação, deglutição e motricidade orofacial.

Quando esses profissionais atuam juntos, o tratamento se torna mais eficiente, seguro e respeitoso com as limitações e o ritmo da criança.

O ambiente familiar também faz parte do tratamento

A seletividade alimentar não é tratada apenas no consultório. A rotina da família, os hábitos à mesa e a forma como os alimentos são oferecidos têm impacto direto no sucesso do tratamento.

Orientações parentais fazem parte do processo terapêutico. Comer sem distrações, como televisão ou celular, manter uma postura adequada durante as refeições e oferecer alimentos que façam parte da rotina da família são medidas simples, mas fundamentais. A criança precisa entender que o momento da refeição é um espaço de aprendizado, segurança e previsibilidade.

Quando buscar ajuda especializada?

Os sinais de seletividade alimentar podem surgir ainda na introdução alimentar. Bebês que choram ao tocar o alimento, que vomitam, engasgam com frequência ou rejeitam de forma intensa determinadas consistências já demonstram sinais de alerta.

É importante diferenciar preferência alimentar de seletividade alimentar. Nem toda recusa indica um transtorno. A seletividade se caracteriza quando a criança não consegue experimentar, apresenta sofrimento intenso ou reações físicas e emocionais desproporcionais diante do alimento.

Quanto mais precoce for a avaliação, maiores são as chances de ampliar o repertório alimentar e evitar prejuízos nutricionais e comportamentais a longo prazo.

Alimentação impacta o desenvolvimento como um todo

A alimentação está diretamente relacionada ao desenvolvimento físico, cognitivo e emocional da criança. Uma nutrição inadequada pode afetar a atenção, a aprendizagem, o crescimento e até o comportamento.

Por isso, tratar a seletividade alimentar infantil de forma precoce e com uma equipe especializada, especialmente no cuidado de crianças com autismo, é um investimento na saúde e na qualidade de vida da criança e de toda a família.

A seletividade alimentar tem tratamento, e ele começa com informação, acolhimento e um olhar multidisciplinar. Cada criança é única — e o cuidado também precisa ser.

Dra. Camila Lessa – Psicóloga

Especializada em autismo e equipe multiprofissional pelo Albert Einstein e possui certificação em Seletividade Alimentar por Madrid, além de pós-graduação em Análise do Comportamento. Referência no atendimento a pessoas no espectro, é coautora de Autismo: Uma Jornada Consciente e autora de Autismo: Muito Além do Diagnóstico, unindo técnica e sensibilidade no cuidado às famílias.

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Acolhimento, vínculo e ciência: a base para um desenvolvimento infantil verdadeiramente eficaz https://postsdesaude.com.br/2026/01/acolhimento-vinculo-e-ciencia-a-base-para-um-desenvolvimento-infantil-verdadeiramente-eficaz/ Tue, 06 Jan 2026 21:23:35 +0000 https://postsdesaude.com.br/?p=113 Por Dra. Camila LessaPsicóloga

O cuidado infantil exige muito mais do que técnicas estruturadas: requer acolhimento verdadeiro. Embora as práticas baseadas em evidências ofereçam ao profissional ferramentas para escolher estratégias eficazes, prever resultados e monitorar o progresso, é o vínculo afetivo que dá significado a todo o processo terapêutico. Segundo especialistas, a criança só responde bem aos estímulos quando se sente segura — e essa segurança nasce do vínculo estabelecido com quem cuida, seja família, seja terapeuta.

Entre os modelos de intervenção precoce mais estudados, o Denver/ESDM (Early Start Denver Model) se destaca por integrar neurodesenvolvimento, análise comportamental e aprendizagem social. Ele faz parte do grupo de abordagens ABA Naturalistas (NDBI), apoiadas por um grande volume de pesquisas científicas. Diferentemente de métodos rígidos, essas intervenções acontecem dentro das rotinas quotidianas — banho, alimentação, troca de roupa, brincadeiras no sofá — transformando momentos simples em oportunidades de desenvolvimento.

Outro ponto central é que, nesse modelo, o afeto não é apenas bem-vindo: ele potencializa a intervenção. A presença amorosa da família torna os reforçadores naturais mais potentes que qualquer recompensa artificial, além de melhorar a motivação da criança e favorecer a generalização das habilidades para diferentes contextos.

A ciência é clara: o ambiente familiar e a qualidade do vínculo são determinantes para o impacto real e duradouro das terapias. Enquanto o profissional participa de algumas horas semanais do tratamento, a família está presente todos os dias, influenciando diretamente o cérebro, o comportamento e a capacidade da criança de se engajar com o mundo.

Um dos mitos mais comuns no desenvolvimento infantil — “cada criança tem seu tempo” — pode atrasar diagnósticos importantes. Embora cada criança tenha seu ritmo, existem marcos esperados e sinais de alerta que não devem ser ignorados. Adiar uma avaliação pode impedir a intervenção precoce, justamente a mais eficaz. Além disso, muitas famílias acabam se sentindo culpadas por “esperar demais”.

A combinação entre ciência, acolhimento e participação familiar contínua constitui o caminho mais seguro para promover um desenvolvimento saudável e transformar o presente e o futuro da criança.

Dra. Camila Lessa Psicóloga

especializada em autismo, atua em equipe multiprofissional e possui certificação em Seletividade Alimentar por Madrid, além de pós-graduação em Análise do Comportamento. Referência no atendimento a pessoas no espectro, é coautora de Autismo: Uma Jornada Consciente e autora de Autismo: Muito Além do Diagnóstico, unindo técnica e sensibilidade no cuidado às famílias.

Contatos:

@cah_lessa

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