Cuidado ao viajar: o risco silencioso da trombose em trajetos longos

Viajar é, para muitos, sinônimo de descanso, reencontros e momentos especiais. No entanto, existe um risco silencioso que precisa ser lembrado, principalmente em trajetos com duração superior a três horas: a trombose venosa.

Na prática clínica, é comum observarmos um aumento de casos após períodos de férias e feriados prolongados. Isso acontece porque longas horas sentado — seja no avião, no carro ou no ônibus — reduzem a movimentação das pernas e comprometem o retorno do sangue ao coração. Essa estagnação favorece a formação de coágulos dentro das veias, principalmente nas pernas.

O que é a trombose e por que ela preocupa

A trombose venosa ocorre quando um trombo (coágulo) se forma dentro de uma veia, obstruindo parcial ou totalmente o fluxo sanguíneo. Na maioria das vezes, acomete os membros inferiores.

O grande risco está na possibilidade de parte desse trombo se desprender e migrar até os pulmões, provocando uma embolia pulmonar — uma complicação grave, que pode evoluir rapidamente e trazer consequências sérias à saúde.

Por isso, a trombose não deve ser encarada como algo simples ou passageiro. Trata-se de uma condição que exige diagnóstico e tratamento médico adequados.

Por que viagens longas aumentam o risco?

Quando permanecemos muito tempo sentados, há diminuição da contração da musculatura da panturrilha, que funciona como uma verdadeira “bomba” para impulsionar o sangue de volta ao coração. Sem esse estímulo muscular, a circulação fica mais lenta, facilitando a formação de coágulos.

É importante destacar que homens e mulheres podem desenvolver trombose. No entanto, o risco é maior quando o tempo prolongado sentado se associa a outros fatores, como:

  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Uso de hormônios;
  • Histórico pessoal ou familiar de trombose.

Nesses casos, a avaliação com um cirurgião vascular antes de viagens longas é fundamental.

Como prevenir a trombose durante a viagem

A prevenção, na maioria das vezes, envolve medidas simples e eficazes:

  • Levantar-se e caminhar a cada duas ou três horas, quando possível;
  • Fazer pausas em viagens terrestres;
  • Movimentar os pés e realizar rotações com os tornozelos enquanto estiver sentado;
  • Manter boa hidratação;
  • Utilizar meias de compressão, quando indicadas pelo médico.

As meias de compressão ajudam a melhorar o fluxo sanguíneo, especialmente na região do tornozelo, reduzindo o risco de estagnação do sangue nas pernas.

Sinais de alerta que não podem ser ignorados

Após uma viagem longa, é importante estar atento a sintomas como:

          •         Dor súbita em uma das pernas;

          •         Inchaço unilateral;

          •         Endurecimento da panturrilha;

          •         Vermelhidão e aumento da temperatura local;

          •         Veias mais aparentes.

Na presença desses sinais, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. O tratamento precoce, geralmente com anticoagulantes, é essencial para evitar complicações como a embolia pulmonar.

Viajar com segurança é possível

Viajar faz parte da vida — e não deve ser motivo de medo. O que precisamos é de informação e prevenção. Pequenas atitudes durante o trajeto podem reduzir significativamente o risco de trombose.

Cuidar da circulação é cuidar da sua saúde como um todo. Antes de arrumar as malas, vale também organizar a prevenção. Afinal, o melhor destino é sempre voltar para casa com saúde e tranquilidade.

Dra. Letícia Costa – Médica Cirurgiã Vascular

Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), atua com foco em Flebologia Estética, tratando varizes, vasinhos e doenças venosas. Com mais de 200 cirurgias de varizes e mais de 150 procedimentos estéticos realizados, alia precisão técnica e olhar estético para transformar saúde e autoestima.

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